Cultura da cebola: entenda tudo sobre esse vegetal com condições ótimas de cultivo - Notícias - Adubasul Fertilizantes

Cultura da cebola: entenda tudo sobre esse vegetal com condições ótimas de cultivo

Cultura da cebola: entenda tudo sobre esse vegetal com condições ótimas de cultivo

A cebola (Allium cepa) pertence à família das Aliáceas, juntamente com o alho, o alho-francês, a chalota e o cebolinho. Ela caracteriza-se por ser um produto agrícola de demanda bastante regular dada a natureza do seu uso.

Além disso, essa cultura é considerada a terceira cultura olerácea de maior importância econômica para o Brasil, ficando atrás apenas do tomate e da batata. Santa Catarina, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul concentram aproximadamente 70% da produção nacional.

Os números são expressivos: no nosso país, cerca de 60.500 famílias se dedicam a essa atividade.

Aqui, em Santa Catarina, a cebola destaca-se como a principal hortaliça cultivada, tanto em termos de área de plantio como no volume e no valor bruto de produção.

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Visto a grande importância dessa cultura para o cenário nacional, nós, aqui da Adubasul, preparamos para você este conteúdo completo com várias informações importantes para produtores rurais que trabalham com esse produto. Quer saber mais? Continue a leitura:

  • O mercado da cultura da cebola no Brasil
  • Como funciona a escolha do cultivar
  • Como funciona a época de plantio
  • Necessidades do solo para o cultivo de cebola
  • Como ocorre o plantio da cebola
  • Como funciona a produção de mudas de cebolas
  • Como preparar o solo para o cultivo de cebola
  • Práticas recomendadas de adubação
  • Como lidar com as pragas e doenças na cultura da cebola?
  • Como funciona a colheita da cultura da cebola?

O mercado da cultura da cebola no Brasil

De acordo com as estimativas da FAO, o Brasil é o maior produtor de cebola do Mercosul. A peculiaridade brasileira de possuir várias safras no decorrer de um ano faz com que o mercado nacional seja abastecido com quantidade de cebola equivalente às necessidades de consumo da nossa população.

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Nessa perspectiva, a diversidade edafoclimática também permite uma boa distribuição de safras com o plantio de diferentes cultivares nas diversas regiões geográficas, o que impacta no positivo cenário da cultura da cebola no Brasil.

As de ciclo médio e tardio, com maior pungência, mais exigentes em fotoperíodo e com boa capacidade de armazenagem, são cultivadas no Sul do país.

Enquanto isso, as híbridas e de ciclo precoce, mais suaves, que se satisfazem com um comprimento de dia menor, são plantadas principalmente na região Nordeste e em São Paulo.

Esses e outros fatores colaboram para que a oferta de cebola se distribua durante o ano todo, tornando essa cultura uma grande aliada do produtor rural brasileiro.

Como funciona a escolha do cultivar

A escolha do cultivar é um fator determinante para o sucesso da lavoura. Isso ocorre pelo fato da espécie e seus cultivares apresentarem exigências fisiológicas diferenciadas para a formação de bulbos e o florescimento. Os cultivares de cebola são agrupados de acordo com o ciclo:

  • superprecoces;
  • precoces;
  • médios.

Veja um pouco mais sobre as principais categorias:

  • Baia Periforme: essas possuem adaptação ampla. Elas são resistentes à doenças foliares; possuem conservação boa pós-colheita; contam com um alto teor de matéria seca alto e; sabor, odor e pungência bastante acentuados.
  • O tipo “Crioula” é adaptado principalmente à Região Sul do Brasil e possui, entre outras qualidades, bulbos de cor amarela escura, pungência alta e excelente conservação depois da colheita.
  • As cultivares híbridas possuem maior uniformidade do que as de polinização livre e, por conseguinte, toleram densidade de plantio maior, apresentam uniformidade de bulbificação e produtividade maiores.

Vale lembrar que, apesar dessas três opções serem as principais, ainda existem outras categorias de cultivares de cebola.

Como funciona a época de plantio

A época de plantio deve ser definida em função do clima e do mercado consumidor. Contudo, em linhas gerais, podemos determinar da seguinte forma:

  • A região Sul (Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná) efetua a semeadura no período compreendido entre abril e junho, e a colheita de novembro a janeiro (210 dias);
  • A região Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) faz a semeadura no período de fevereiro a maio e a colheita de julho a novembro;
  • No Nordeste, o cultivo da cebola é realizado durante o ano todo, com concentração de plantio nos meses de janeiro a março e colheitas de maio a julho (120 dias), para atender à demanda dos mercados consumidores das regiões Sul e Sudeste.

Necessidades do solo para o cultivo de cebola

A cebola se desenvolve melhor em solos de textura média (areno-argilosos ou argilo-arenoso) com pH de 6,0 a 7,0.

O solo também deve ser rico em matéria orgânica e de boa drenagem, que favoreça um bom desenvolvimento das raízes e dos bulbos. Isso porque a salinidade afeta o desenvolvimento das plantas, provocando decréscimos na produtividade de até 25%.

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Como ocorre o plantio da cebola

A cebola pode ser cultivada no Brasil por meio de três métodos bem distintos:

  • Semeadura transplantio (plantio de mudas);
  • Semeadura direta (semeadura no local definitivo);
  • Plantio de pequenos bulbinhos. (região de Piedade-SP).

Na região Nordeste, predomina o sistema de mudas (semeadura transplantio), compreendendo a semeadura em canteiros especiais, denominados de sementeiras com posterior transplante das mudas para o local definitivo.

Nossa recomendação é realizar o plantio em canteiros definitivos, com distância de 10 cm entre si, em sulcos de 1 a 2 cm de profundidade.

Recomendamos também que se lance 2 a 3 g/m² de sementes no canteiro, cobrindo com 2 cm de composto orgânico, pó-de-serra curtido ou casca de arroz.

Caso você opte pela semeadura indireta, realize-a em sementeiras e, só após 40 a 60 dias depois, faça o transplante das mudas para os canteiros definitivos.

Como funciona a produção de mudas de cebolas

Nossa dica para a produção de mudas de cebola é que, independente do sistema de produção adotado, se preocupe bastante com o local onde será realizada essa ação.

Ele deve ser de fácil acesso, preferencialmente plano, com exposição solar norte, livre de plantas daninhas, próximo a uma fonte de água e afastado de locais que propiciem a formação de sombra e neblina.

E, é claro, não se esqueça também que ele deve apresentar boa estrutura, aeração e drenagem, além de proporcionar temperatura adequada à germinação das sementes e ao crescimento das mudas.

Recomendamos também que você faça uma rotação anual do local dos canteiros e não repetir esse local nos três anos subsequentes.

Já o preparo da sementeira depende da aração, gradagem e sulcamento. O acabamento final é feito normalmente com enxada, com dimensões dos canteiros variáveis em função do sistema de irrigação e da topografia do terreno.

O solo onde serão estabelecidos os canteiros deve ser arado a uma profundidade aproximada de 20cm e, posteriormente, bem destorroado.

Os canteiros são então “levantados”, seguindo as linhas de nível do terreno, a uma altura de 10 a 15cm de acordo com a textura do solo e os regimes de chuva da região.

Além disso, eles devem ter de 1 a 1,2m de largura e comprimento variável de acordo com a área disponível e a necessidade de mudas a serem produzidas.

A correção da acidez do solo, bem como a adubação dos canteiros, deve ser feita com base no laudo da análise dele.

Nossas dicas para essa preparação são:

  • O calcário deverá ser aplicado, no mínimo, 90 dias antes do preparo dos canteiros, o que garantirá tempo suficiente para que reaja e corrija o solo ao pH desejado.
  • A adubação dos canteiros pode ser realizada com adubos minerais e orgânicos. Recomenda-se, sempre que possível, que o produtor faça o uso de adubos orgânicos. Esses, além de elevar os teores de nutrientes, contribuem significativamente para a melhora das propriedades físicas e biológicas do solo, melhorando a fertilidade como um todo.

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Nesta etapa, recomendamos que o adubo orgânico deve ser incorporado pelo menos 30 dias antes da semeadura e, quando necessário, complementado com o mineral.

A complementação da adubação orgânica deverá ser feita com nitrogênio, fósforo e potássio, os quais deverão ser incorporados ao solo por ocasião de seu preparo.

O uso de nitrogênio mineral em cobertura poderá ser necessário no caso de as plantas apresentarem sintomas de deficiência.

Normalmente, nos solos adequadamente corrigidos pela calagem que receberam adubações orgânicas e, quando necessário, fertilizantes minerais permitidos, nas doses recomendadas, não há necessidade de complementações após a semeadura.

Como preparar o solo para o cultivo de cebola

O preparo convencional do solo é feito antes do transplante, por meio de uma lavração em curva de nível, com profundidade de 20cm. Atualmente, muitos produtores substituíram a aração pela operação de subsolagem ou escarificação.

Por ocasião do transplante se faz a gradagem.

Como é o processo de calagem

A cultura da cebola é sensível à acidez (toxidez de Al), apresentando restrição ao desenvolvimento quando o pH do solo é inferior a 5,5.

A acidez do solo normalmente ocorre por um ou mais fatores, mas é decorrente principalmente da lixiviação dos cátions básicos (Ca, Mg e K), da absorção deles pelas plantas e da adição de adubos minerais acidificantes.

Lembrando que, para fazer essa correção, é imprescindível que se faça uma análise de solo completa pelo menos a cada dois anos, dessa forma o engenheiro agrônomo poderá fazer a recomendação adequada.

Práticas recomendadas de adubação

É necessário que se faça a análise do solo para ter uma recomendação de adubação equilibrada.

As recomendações podem variar de acordo com o tipo de solo, os teores de nutrientes e de matéria orgânica, o sistema de cultivo empregado e a estimativa de rendimento.

A adubação mineral é feita anualmente por ocasião do transplante ou da semeadura direta, quando o adubo é aplicado, a lanço ou em sulcos, para correção ou reposição dos nutrientes que são extraídos pela cultura e por eventuais perdas.

A cultura da cebola responde muito bem à adubação orgânica, principalmente, em solos com baixo teor de matéria orgânica. Além de melhorar a fertilidade, essa prática atua de forma benéfica sobre as condições físicas e biológicas do solo.

Recomenda-se a observação das técnicas adequadas para a calagem do solo e a adoção de técnicas agronômicas que visem regenerar ou manter a fertilidade química, física e biológica do solo.

Principais tratos culturais necessários

Para um bom desenvolvimento das plantas, é necessária a execução de diversos tratos culturais, desde a sementeira até a colheita. Todas as operações devem ser executadas na época certa e com todo o cuidado. Entre elas, estão:

  • Capina: operação que pode ser executada manualmente, com auxílio de enxadinha ou sacho, é realizada para manter sempre a cultura no limpo, isto é, sem plantas daninhas.
  • Rotação de cultura: depois da colheita da cebola deve-se plantar outra cultura de espécie diferente. O plantio sucessivo de plantas da mesma família na mesma área diminui a produção e favorece o ataque de pragas e doenças.
  • Controle de plantas daninhas: a infestação de plantas daninhas é altamente prejudicial para o bom desenvolvimento da cultura da cebola, principalmente nos primeiros 30 dias após o transplantio. O controle das plantas daninhas pode ser feito através do método químico (herbicidas) e/ou manual (através de capinas).

Como lidar com as pragas e doenças na cultura da cebola?

O controle de pragas é de extrema importância para a boa produtividade da cultura. As principais são:

  • Tripes (Thrips tabaci): também conhecido popularmente como piolho, esta é a principal praga da cultura da cebola. Esse inseto ocorre em quase todas as regiões agrícolas do mundo. Os danos diretos ocasionados por ele ocorrem pela sucção da seiva das plantas, causando retorcimento, amarelecimento e seca das folhas e consequentemente a redução dos tamanhos dos bulbos.
  • Mosca Minadora (Liriomyza trifolii): conhecida como bicho mineiro, riscador, escrivão ou minador, atacam as plantas fazendo minas ou galerias nas folhas, em forma de ziguezague, reduzindo a capacidade da planta em realizar a fotossíntese e, consequentemente, a produção de bulbos.
  • Larva-Arame (Conoderus sp.): essa espécie ataca a cultura da cebola destruindo as raízes, podendo também provocar perfurações nos bulbos e favorecer a penetração de microrganismos nos mesmos. As plantas apresentam as folhas amareladas com as pontas queimadas. Estes sintomas podem ser confundidos com doenças.
  • Lagarta-Rosca (Agrotis ipsilon) – Possuem hábito de cortar as plantas novas rente ao solo durante a noite permanecendo abrigadas no solo durante o dia.
  • Lagarta-das-Folhas (Helicoverpa zea) – Conhecida como lagarta da espiga do milho e broca grande do tomateiro, é uma praga que causa danos na cultura da cebola através da danificação das folhas, podendo também destruir parcialmente ou totalmente os bulbos.

A cultura da cebola também está sujeita a um considerável número de doenças, afetando a produtividade e a qualidade dos bulbos.

As doenças de maior ocorrência são:

  • queima acinzentada ou sapeco (Botrytis squamosa);
  • míldio (Peronospora destructor);
  • mancha púrpura (Alternaria porri);
  • raiz rosada (Phoma terrestris);
  • podridão branca (Sclerotium cepivorum);
  • nematoide Ditylenchus dipsaci;
  • as bacterioses (Burkholderia spp. e Pectobacterium carotovorum sbsp. carotovorum);
  • o falso carvão mofo (Aspergillus niger).

O manejo dessas doenças deve ser realizado pela associação de diferentes práticas, que incluem desde escolha da variedade, local com solo vitalizado, preparo adequado de canteiros e outros cuidados.

Como funciona a colheita da cultura da cebola?

O ponto ideal de colheita (arranco) é quando o bulbo alcança a maturidade fisiológica, que é manifestada pelo tombamento ou estalo da planta, devido ao murchamento do pseudocaule.

Essa é uma indicação de que o bulbo pode ser colhido. Contudo, a lavoura apresenta plantas com diferentes graus de maturação.

Recomenda-se iniciar o arranco da lavoura desde que os bulbos estejam bem formados, quando houver entre 5% e 20% de “estalamento” para variedades de ciclo médio, 50% a 70% de “estalamento” para as de ciclo precoce, e mais de 70% de “estalamento” para as de ciclo superprecoce.

Ficou com alguma dúvida sobre a cultura da cebola, ou, então, sobre a adubação orgânica? Conte com a ajuda da Adubasul. Basta entrar em contato conosco e um de nossos especialistas vai até sua lavoura e te ajuda com essas informações e muito mais!