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Saiba mais sobre a cultura do tabaco: uma importante produção agrícola no Sul do Brasil

tabaco

Com um trabalho cuidadoso dos nossos produtores, que atendem os exigentes padrões internacionais, o Brasil é o maior exportador mundial de tabaco desde 1993, além de ser o segundo maior produtor do mundo.

O fumo é uma das principais culturas no Sul do Brasil, mobilizando bilhões de reais em receita para os produtores e sendo uma das principais fontes de renda em milhares de propriedades brasileiras. Ela também está presente em partes do nordeste.

Quer saber mais sobre essa cultura tão importante? Então continue sua leitura:

  • O potencial da cultura do tabaco no Brasil
  • A importância da produção de fumo para pequenos produtores no Sul do Brasil
  • O tabaco movimentando a indústria brasileira
  • Diferentes variedades de fumo e tipos de plantio ideais para sua lavoura
  • Quais são as dificuldades de produzir fumo no Brasil?
  • Principais doenças que o produtor de fumo precisa ficar atento
  • A importância da adubação e da correção de solo para a alta produtividade na produção de fumo

O potencial da cultura do tabaco no Brasil

Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor de fumo em todo o mundo, tendo produzido 583 mil toneladas em 2021, perdendo apenas para a China.

Considerando só o Sul do país, o fumo demonstrou alguns números importantes em 2021, segundo informações da Associação dos Fumicultores do Brasil/Afubra:

  • Foram 508 municípios produtores de tabaco em 2021;
  • A cultura foi produzida em 138 mil propriedades;
  • No total, foram plantados 254 mil hectares de fumo;
  • 552 mil pessoas se envolveram na produção de tabaco no meio rural;
  • A cultura do tabaco gerou 40 mil empregos diretos nas indústrias;
  • Foram produzidos 583 mil toneladas de fumo;
  • O tabaco rendeu 6,6 bilhões de reais para os produtores;
  • Foram arrecadados 14,2 bilhões de reais em impostos na cadeia produtiva do fumo (considerando a indústria).

Mas o grande foco do Brasil é a exportação. Das 583 mil toneladas produzidas, apenas 124 foram para o mercado interno. As outras 459 mil toneladas foram exportadas, reforçando a posição do Brasil como maior exportador mundial desde 1993.

Com isso, foram 1,46 bilhões de dólares de tabaco embarcados para nossos compradores.

Segundo o site do Sinditabaco (Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco), a União Europeia ficou com 40% do total dos embarques de 2021. Depois disso, tivemos 28% embarcados para o Extremo Oriente, além de quantidades menores para a América do Norte (9%), para a África e o Oriente Médio (9%), para o Leste Europeu (5%) e até para nossos vizinhos na América Latina (9%).

Esse grande mercado no exterior é um resultado do trabalho das organizações e, principalmente, dos produtores, que garantem a qualidade e a integridade do produto para atender as exigências do consumidor internacional.

  • O Brasil exporta para 113 países e o tabaco é oitavo no ranking dos produtos mais exportados pelo agronegócio brasileiro.

A importância da produção de fumo para pequenos produtores no Sul do Brasil

Como vimos, o tabaco realmente ajuda a economia do país, movimentando mais de um bilhão de dólares com a exportação e gerando mais de 14 bilhões de reais em impostos em 2021.

No entanto, essa não é a principal importância do tabaco para o Brasil. O verdadeiro destaque dessa cultura é a geração de renda para as pequenas propriedades agrícolas.

Afinal, a produção tem como base as pequenas propriedades, com, em média, 12,3 hectares de área. O que significa que o rendimento de 6,6 bilhões de reais em 2021 foi principalmente para produtores familiares, que mantêm suas famílias com o dinheiro do fumo.

Além disso, em média a lavoura de fumo ocupa apenas 23% da área das propriedades, mas representa 43,4% da renda familiar – é um excelente rendimento para uma pequena área de cultivo.

Dessa forma, os produtores podem dedicar o restante da sua terra para outras necessidades. Segundo a Afubra, eles usam 29,5% para culturas alternativas e de subsistência, 22,5% para criações de animais e pastagens, 15% para florestas nativas e 10% para reflorestamento.

Sem falar que 22,8% dos produtores de tabaco não possuem terra própria. São  31,3 mil famílias que garantem seu sustento a partir de um regime de parceria ou de arrendamento, graças à possibilidade de produzir fumo. 

Com tudo isso, fica claro que o tabaco é uma ótima opção para pequenos produtores agrícolas.

O tabaco movimentando a indústria brasileira

Segundo o Sinditabaco, outro grande destaque dessa cultura tão importante é a movimentação da indústria. No Sul do Brasil, temos empresas de pequeno, médio e grande porte, que contam com tecnologias que estão entre as mais sofisticadas no mundo.

A indústria de tabaco brasileira é tão impressionante que os municípios de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, contam com o maior complexo de processamento de tabaco do mundo.

Isso melhora ainda mais a economia do país, produzindo empregos, tanto diretos quanto indiretos, gerando renda dentro do país e movimentando os municípios onde as indústrias estão instaladas.

Diferentes variedades de fumo e tipos de plantio ideais para sua lavoura

No Sul, o plantio do fumo começa geralmente entre agosto e setembro, que são períodos mais adequados para o desenvolvimento da planta.

Há duas variedades principais para a planta. Em regiões mais frias, a ideal é a Burley, que tem a folha mais alongada e exige uma adubação mais completa para garantir um bom desenvolvimento. Já em áreas com clima mais ameno, a variedade mais comum é a Virgínia.

Também há diferentes tipos de plantio para o fumo. Um deles é o convencional, no qual a muda é plantada logo depois do preparo de solo com camalhões. 

Outro sistema de plantio importante para o fumo é conhecido pelos produtores como “plantio direto”, ainda que não seja, tecnicamente, o plantio direto usado em outras culturas. 

Nesse sistema, o camalhão é construído no início do ano. Assim, nos primeiros meses o produtor pode plantar aveia preta, centeio, azevém e outras culturas.

Essas plantas fornecem uma palhada de proteção excelente para reduzir o risco de erosão, lixiviação de nutrientes e compactação, graças à melhora na estrutura física do solo.

Quais são as dificuldades de produzir fumo no Brasil?

Apesar de suas muitas vantagens, o tabaco também apresenta desafios para os produtores. O primeiro é o fato de que ele é uma atividade agrícola trabalhosa, que envolve muitos processos.

Para começar, é interessante que o produtor tenha um bom conhecimento sobre a qualidade biológica do solo. Sempre fazer uma análise de solo é recomendado.

Depois, é preciso preparar o camalhão e plantar a cultura produtora de massa verde, que depois deve ser dessecada. Ainda é preciso fazer a produção das mudas no canteiro, o plantio e, claro, os tratos culturais, a adubação, o cuidado com doenças e pragas, entre outros.

Por fim, há ainda a colheita manual, a secagem em estufa ou galpão, o enfardamento do fumo e a comercialização. Enfim, o tabaco tem um longo caminho para chegar no cigarro que o consumidor tira do maço.

Portanto, o produtor precisa conhecer as melhores técnicas e contar com os melhores produtos para que todo esse trabalho realmente valha a pena no final.

Principais doenças que o produtor de fumo precisa ficar atento

Nos últimos anos, as lavouras de fumo têm enfrentado grande incidência de doenças e pragas. Isso acontece porque as áreas cultivadas não são muito grandes, o que dificulta que os produtores façam a rotação de cultura com a frequência ideal.

Além disso, as lavouras costumam ficar próximas dos vizinhos, o que facilita a disseminação dos patógenos pelo vento, pelas águas da chuva e pelo tráfego de implementos, pessoas e animais.

Um dos principais problemas é a murcha bacteriana, causada pela bactéria Ralstonia solanacearum. Ela entra na planta através de fissuras causadas por pragas de solos na raiz da planta, como os nematóides e larvas arames.

Quando afeta uma planta, ela contamina o sistema de condução de seiva, diminuindo o fluxo de nutrientes e água, fazendo a folha amarelar e murchar. Em períodos de altas temperaturas e umidade, a situação é ainda pior.

Atualmente, não há mecanismos químicos ou biológicos capazes de eliminar a infestação. Por isso, o caminho para cuidar da sua lavoura de fumo é a prevenção, com o plantio de cultivares mais resistentes, rotação de cultura com gramíneas e higienização de tratores e implementos sempre depois do uso em áreas infectadas.

Outro problema sério é o amarelão do fumo. Os sintomas do amarelão são parecidos com os da murcha bacteriana, mas essa doença é causada por fungos, como Phytium spp, Fusarium oxysporum, Rhizoctonia solani e Phytophtora parasítica. As condições ideais de solo e clima para o desenvolvimento da doença também são as mesmas da murcha.

Para saber qual doença afetou sua lavoura, você pode cortar um pé de fumo pelo caule e mergulhar sua parte inferior em um copo com água. Se ele tiver uma gosma parecida com clara de ovo, ele está infectado com a murcha bacteriana. Se o pé apresentar todos os sintomas, mas não tiver essa gosma, o problema é o amarelão.

A importância da adubação e da correção de solo para a alta produtividade na produção de fumo

Além de lidar com as doenças, o produtor de fumo também precisa fazer uma excelente adubação para garantir o melhor resultado em sua lavoura.

Para começar, lembre-se sempre de fazer uma boa análise de solo, que vai apresentar quais são suas necessidades de adubação. 

Se você estiver no Rio Grande do Sul ou em Santa Catarina, consulte o Manual de Calagem e Adubação para  saber quais são as necessidades específicas de acordo com o seu solo e com o tipo de fumo que você está plantando.

O manual recomenda, inclusive: 

“Aplicar entre 60 e 80 kg de N/ha na adubação de plantio, em pré-transplante, e o restante em cobertura. As quantidades de N a aplicar em cobertura, de forma parcelada, variam conforme o tipo de tabaco, o teor de matéria orgânica e a textura do solo, as condições climáticas e as variáveis relacionadas à qualidade e estilo do tabaco a ser produzido.”

Leia mais: Ciclo do nitrogênio e seu impacto na produtividade.

Além disso, o manual também indica:

A adubação fosfatada deve ser aplicada inteiramente no plantio. Para adubação potássica, aplicar entre 60 e 80 kg de K2O/ha no plantio, em pré-transplante, e o restante em cobertura. Na escolha das fontes de fertilizantes, deve-se limitar a quantidade de cloro aplicada em, no máximo, 50 kg de Cl/ha (usado somente na adubação de plantio).”

No entanto, em sistemas mais conservacionistas de solo, como o plantio direto na palha, ele afirma que as doses de P2O5 e K2O podem ser reduzidas. Nesse caso, o ideal é seguir a orientação da assistência técnica.

Outro ponto importante para ter bons resultados é fazer a neutralização da acidez do solo. Use corretivos como o calcário para chegar a um pH acima de 5,5, mas sem passar de 6.

Além disso, vale registrar que a adubação orgânica tem mostrado resultados muito positivos para o fumo. 

A adubação orgânica pode ser realizada antes do plantio, nas plantas que vão fornecer a palhada, ou mesmo na própria cultura já instalada (plantio convencional). 

Dessa forma, aumenta-se significativamente a palhada e o solo se mantém com uma nutrição mais equilibrada. 

Leia mais: Tipos de fertilizantes orgânicos e suas funções.

Já a adubação química tem algumas regras específicas para a cultura. Um exemplo é que não se pode usar nitrogênio amoniacal (uréia) em excesso, porque causa perda de qualidade na folha do fumo. Por isso, usam-se mais formas nítricas como o salitre do chile e nitrato de potássio.

O cloreto de potássio também pode ser prejudicial, porque tem alta concentração de cloro.

Além disso, avalie também o uso de adubos a base de nitratos. A solubilidade deles é alta, o que aumenta a lixiviação de potássio. Por isso, a presença de matéria orgânica no solo é muito importante, pois ela diminui essa perda, principalmente em solos arenosos.

 

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