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A história por trás dos fertilizantes químicos e orgânicos

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Desde o surgimento da prática da agricultura os povos foram descobrindo que algumas partes do solo eram mais férteis do que outras. Áreas que eram alagadas e depois secas pelo movimento do nível dos rios recebiam depósitos de material orgânico que melhoravam a qualidade do solo. Desde então o homem tem feito a deposição de substâncias orgânicas e minerais em terras de plantio para melhorar o desenvolvimento das plantas. Na história, há relatos de que o ser humano começou a utilizar cinzas, dejetos de animais, resíduos vegetais e húmus dos rios ainda no período do Egito antigo, mais de cinco mil anos atrás.

Não é à toa que a região entre o rio Tigre e Eufrates, conhecida como “Crescente Fértil” seja, para alguns historiadores, o “berço da civilização”, pois foi um dos primeiros locais que deu origem a um esboço de civilização minimamente parecido com o que se tem na atualidade. Neste momento acontece a chamada revolução agrícola. No caso do Egito, povos nômades passaram pelo local e descobriram um solo rico, repleto de minerais e com disponibilidade de água, ideal para a agricultura. Era o começo da utilização potencial de nutrientes do lodo dos rios como adubo orgânico. O fato fez com que não houvesse mais a necessidade de mudança de local a cada mudança de estação. A partir de uma terra fértil graças aos minerais presentes no solo, o modelo de sociedade que se conhece atualmente foi construído, dando início a agricultura, ao comércio, escrita, pecuária e a arquitetura. Além do Egito, outros locais do mundo como na China Antiga, na Índia Antiga e até mesmo na América do Sul vivenciavam o mesmo processo.

Durante a idade média, os dejetos de animais começam a ser tratados como mercadoria por conta de seus benefícios à qualidade do solo quando usado como adubo e tornou-se essencial para diversas plantações. Na primeira era industrial, o adubo já era utilizado e comercializado no Reino Unido, inicialmente materiais como calcário, argila, estrume e salitre. Mais adiante, os solos arenosos eram corrigidos com argila. A partir do desenvolvimento da agricultura observa-se a importância da fertilização de solo. Com o avanço da tecnologia e descobertas nos campos da química e biologia, os adubos químicos também foram criados. Os adubos químicos são manipulados em laboratório e, geralmente, de origem mineral, derivados de rochas e petróleo e extraídos de minas de carvão, com exceção dos nitrogenados. Ao contrário do fertilizante orgânico, que possui uma liberação de nutrientes gradual e linear no solo, o adubo químico possui liberação rápida dos nutrientes na terra com alto grau de solubilidade no solo. A rápida liberação de componentes pode ser boa pelo rápido resultado e previsibilidade dos resultados nas culturas. Seu efeito é rápido, porém com menor duração.

Dependendo do tipo e da quantidade de aplicação o fertilizante químico pode acarretar alguns malefícios. Além da saúde dos plantios, a produtividade e fertilidade do solo são afetadas. Pequenos animais como minhocas, besouros, fungos e microrganismos que vivem na terra e contribuem para o desenvolvimento do ecossistema são atingidos. Outro fator importante para se estar atento ao uso de fertilizantes químicos é a maior perda por lixiviação dos elementos, se comparado com o orgânico, sobretudo de nitrogênio e potássio.

Em meados de 1600, o químico alemão Johann Glauber, ao estudar as plantas, como cuidá-las e aprimorá-las, desenvolveu os primeiros fertilizantes à base de matérias orgânicas. Glauber já utilizava salitre, limão, ácido fosfórico, nitrogênio e potássio em suas composições. Em 1842, o químico alemão Liebig, também considerado como o pai da agricultura moderna e um dos fundadores da química orgânica, concluiu que as plantas tendem a desenvolverem-se de acordo com os minerais que estão presentes no solo em que são cultivadas. Para Liebig, além dos materiais presentes no solo, algumas culturas, principalmente alimentícias, seriam beneficiadas com a inserção  de elementos químicos no solo. Liebig desenvolveu a conhecida fórmula NPK que consiste em uma combinação de nitrogênio, fósforo e potássio. Portanto, para o bom funcionamento das plantações, seria necessária a suplementação destes minerais que estariam em falta.

A adubação orgânica, por sua vez, recupera o solo, melhorando a estrutura química, física e biológica do local. Ela mantém os nutrientes na terra através de sua alta capacidade de troca de cátions (CTC). Outro ponto essencial e poderoso da adubação orgânica é o aumento da retenção de água no solo, o que faz com que seja necessário menor gasto de recursos hídricos. A retenção de água também auxilia a amenizar a variação de temperatura da terra. Entre os benefícios, estão o aumento da qualidade dos alimentos e plantas sem danos à fauna e à flora, a promoção de vida na terra, menores agressões ambientais, diminuição do uso de agrotóxicos e perda mínima por lixiviação no solo.

Mesmo que a fertilização orgânica seja mais lenta nas questões de produção, distribuição e resultados, há efeitos mais duradouros no plantio. A liberação dos componentes é feita de maneira gradual e linear, fazendo com que os benefícios durem mais tempo. Uma questão para se estar atento na fertilização orgânica é a procedência das fontes de adubo e adquiri-los de fontes que ofereçam confiança e testes comprovados. Esterco e outros materiais orgânicos contaminados podem acarretar em malefícios para o solo e comprometer toda a cultura.

A fertilização orgânica pode ser usada tanto em pequenas hortas em casa para a obtenção de culturas saudáveis e férteis, ou até mesmo em grandes plantações comerciais como fumo, café, erva mate, soja, arroz, entre outros. A indicação de frequência de fertilização orgânica é de, pelo menos, uma vez ao ano após a análise de solo.

O fundamental para os plantios é a fertilização com cautela, observando os níveis de minerais presentes no solo, a saúde da cultura, as necessidades, os excessos, para a partir dos fatores da análise de solo, determinar a suplementação adequada. A escolha de uso de fertilizantes químicos ou orgânicos cabe caso a caso e deve ser feita com auxílio de um engenheiro agrônomo, afinal, o excesso de nutrientes também pode acarretar em danos para o solo e o plantio.

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